Arquivos mensais: maio 2012

Os benefícios do exercício para o hipertenso

Por Vinicius Galvão.

A hipertensão é uma doença crônica degenerativa, caracterizada por níveis pressóricos igual ou superior a 140 x 90 mm Hg.

Pode ser primária (quando não se sabe sua origem) ou secundária a alguns fatores: disfunção da supra-renal, avanço da idade, fumo e álcool crônicos, e principalmente devido ao aumento da gordura corporal na região do abdômen. As diretriz nacionais e internacionais recomendam que os hipertensos realizem o exercício aeróbico complementado pelo exercício resistido (musculação), como forma de tratamento, e assim, na prevenção de outras doenças relacionadas à pressão alta, como também, na redução de custos: com internação, redução da medicação anti-hipertensiva, ausência no trabalho, etc… Qual seria então o programa de exercício ideal para hipertenso?

A prescrição não deve ser apenas baseada no nível de pressão arterial. Deve ser levada em conta o risco cardiovascular (enquête/anamnese), ou presença de doença cardiovascular estabelecida, e se existem lesões em órgãos alvos (rins, retina,etc). Por isso a avaliação clínica e a realização de testes pré-exercício são fundamentais. O teste de esforço ou ergoespirométrico avaliará a capacidade cardiorrespirátoria e eletrocardiográfica, importantes parâmetros para uma adequada prescrição de treinamento físico seguro e eficaz. O treinamento aeróbico reduz significativamente os níveis de pressão arterial em cerca de 75% dos pacientes. O efeito hipotensor depende da duração, da intensidade e dos grupos musculares envolvidos. Num estudo clássico conduzido por Takata et al, 2003 , demonstrou que quanto maior a duração do exercício, maior o efeito hipotensor : 150 minutos semanais foram superiores a 90, que foram superiores a 30 minutos semanais. A intensidade de esforço preconizada pelas Diretrizes Brasileiras de Hipertensão situa-se entre 60% e 80% da freqüência cardíaca máxima, estabelecida em teste ergométrico, com o paciente fazendo uso do medicamento prescrito. O envolvimento de grandes grupos musculares, como na corrida em esteira ergométrica, se mostrou mais eficaz no efeito hipotensor do que um ciclo ergométrico que utilizou apenas os membros superiores. Em relação a musculação, ainda não existe consenso sobre as recomendações. Alguns estudos preconizam que sejam utilizadas cargas de até 50% de uma repetição máxima, que os exercícios sejam realizados em circuito, intervalos de um a dois minutos entre as séries e os exercícios, e o número de repetições varia de 8 a 15, conduzidos até a fadiga moderada (parar quando a velocidade do movimento diminuir). Na nossa prática cotidiana, o que temos observado entre alunos mais jovens que não apresentam doenças cardiovascular nem lesões em órgãos alvos, é que tem liberação médica para treinamentos mais intensos, desde que sob uso de medicação prescrita.

O aspecto mais importante o ser ressaltado neste artigo, é a importância da redução da gordura corporal no controle da hipertensão. A obesidade aumenta resistência a insulina (diabetes), leva a disfunção endotelial (aterosclerose e arteriosclerose), aumento na liberação de substancias pró – inflamatórios e tumorais (câncer), sobrecarga articular (hérnia de disco, artrose), além do aumento das chances de AVC e infarto agudo do miocárdio. O controle de peso deverá ser feita semanalmente pra que seja realizado de forma a maximizar a perda de gordura e não em massa muscular, além de dar motivação extra ao aluno.

Outros benefícios do exercício regular para o hipertenso são : maior aderência ao plano alimentar mais saudável, melhora da fórmula sanguínea (colesterol, triglicérides, glicose,) redução do percentual de gordura com aumento de massa magra e consequentemente no aumento da auto- estima.

Se o treinamento for realizado em grupo – academia, dança de salão, etc. Ainda tem os beneficio de estar malhando com prazer, reduzindo o estresse, conhecendo pessoas e fazendo novas amizades, o que lhe dá muitas motivações extras para uma maior fidelização ao exercício.