A História da Educação Físicia e a Atividade Física ao Longo dos Tempos

A História da Educação Física e a Atividade Física ao Longo dos Tempos é o assunto abordado neste trabalho acadêmico elaborado pelo professor de Educação Física Sidney Santos. São informações bastante interessante para os Estudantes e Profissionais de Ed Física e curiosidades bastante relevantes para interessados no assunto.

Propriedade intelectual: Sidney Santos | Professor de Educação Física / CREF 006354-G/BA

 

História da Educação Física e a Atividade Física ao Longo dos Tempos

ATIVIDADE FÍSICA E SUA CONCEPÇÃO HISTÓRICA

Ao rever a história da humanidade é possível perceber a presença da Atividade Física associada a uma movimentação corporal que produziu um aprimoramento de habilidades motoras prontas para garanti a sobrevivência do homem sobre a terra, ao passo, que estas habilidades também procuraram atender às necessidades e objetivos de cada época histórica. Com o avanço do estágio civilizatório da humanidade, estas habilidades motoras passaram a serem utilizadas com “finalidades de ordem guerreira, terapêutica, esportiva e educacional…” segundo Oliveira (2006, p.17).  Ainda como forma de sistematizar cronologicamente a divisão da história, temos que:

 

“Dentro da acadêmica divisão da história, acompanhando a marcha ascensional do homem, documentada sobretudo no mundo ocidental, somos levados a afirmar que a prática dos exercícios físicos vem da Pré história, afirma-se na Antiguidade, estaciona na Idade Média, fundamenta-se na Idade Moderna e sistematiza-se na Idade Contemporânea… (Ramos, 1982, p. 15)”

 

Desde os primórdios da civilização, assim que o homem se pôs de pé, sempre necessitou da ação dos movimentos corporais. Segundo Ramos (1982, p.16), “o homem primitivo, tinha sua vida cotidiana assinalada, sobretudo, por duas grandes preocupações – atacar e defender-se”.

Analisando as ações naturais do homem primitivo, podemos dizer que se tratava de um autêntico programa de atividade física com exercícios naturais, pois, durante a maior parte da sua existência, “condenado a uma situação de nomadismo e seminomadismo, o homem dependia de sua força, velocidade e resistência para sobreviver” (OLIVEIRA, 2006, p.13). As ações como nadar, correr, trepar, arremessar, saltar, empurrar, puxar, foi facilitado cada vez mais pelo aprimoramento dos sentidos, das habilidades motoras e da força, assinalando assim, a sobrevivência do homem primitivo através da aquisição de um verdadeiro repertório psicomotor. Segundo Oliveira (2006, p.13), a supremacia do homem primitivo:

 

“No reino animal deveu-se, no plano psicomotor, ao domínio de um gesto que lhe era próprio: foi capaz de atirar objetos. Provavelmente por ser o único que possuía o polegar, desenvolveu a preensão, por oposição daquele dedo aos demais. Isso facilitou, inclusive, o aperfeiçoamento da habilidade de lançar.”

 

Esse vasto repertório motor além de garantir a sua sobrevivência (na caça, na pesca, na fuga, nas guerras, nas lutas), também era bastante útil na diversão, na ludicidade e na dança. Diante desse cenário:

 

“… as atividades físicas das sociedades pré-históricas – dentro dos aspectos natural, utilitário, guerreiro, ritual e recreativo – objetivavam a luta pela vida, os ritos e cultos, a preparação guerreira, as ações competitivas e as práticas recreativas.” (RAMOS, 1982, p. 17).

 

A dança inclusive, era uma atividade física de bastante expressividade e significado para o homem primitivo:

 

“A dança primitiva podia ter características eminentemente lúdicas como também um caráter ritualístico, onde havia demonstração de alegria pela caça e pesca feliz ou a dramatização de qualquer evento que merecesse destaque, como os nascimentos e funerais (OLIVEIRA, 2006, p.14).”

 

Alguns povos conseguem alcançar uma etapa de mudança com aspectos de civilização, porém ainda com muitas características do mundo primitivo. Esse período é chamado de Antiguidade Oriental que posteriormente, com um estágio civilizatório mais avançado, dá-se origem a Antiguidade Ocidental. O que se observava era a civilização ocidental recebendo inúmeras influencias da civilização oriental. A civilização oriental por sua vez, tinha como objetivo a preparação para a vida, como aponta Ramos (1982, p.18), ”na Pérsia, Índia, China, Japão e outros povos, em contraste com a prática do mundo ocidental, excepcionalmente, as atividades físicas serviam mais como meio ritual ou de preparação para a vida”. As principais contribuições do oriente foram as artes marciais, a natação e o remo, o que revelou beleza e grandeza, como evidencia Ramos (1982, p.17):

 

“No campo das atividades físicas, exemplificando somente com quatro povos – o hindu, o chinês, o japonês e o persa – encontramos a validade de nossa afirmação, através, respectivamente, do Ioga, do “Cong Fou”, do “Jiu-Jitsu”, e do “Pólo”. (…) A luta livre, o boxe, a esgrima com bastão, disputando primazia com a natação e o remo, foram, talvez os desportos de maior aceitação.”

 

No universo da civilização ocidental, faz-se necessário destacar a Grécia, com as cidades Atenas e Esparta, que referia-se a atividade física como instrumento de formação moral e espiritual, ou seja, “tem o grande mérito de não divorciar a Educação Física da intelectual e da espiritual” (OLIVEIRA, 2006, p.21). A exercitação do corpo constituía:

 

“Meio para a formação do espírito e da moral. Platão, filósofo genial, referindo-se à ginástica, afirmava que ela unia aos cuidados do corpo o aperfeiçoamento do pensamento elevado, honesto e justo. (RAMOS, 1982, p.19).”

 

Também se faz necessário destacar Roma, que segundo Ramos (1982, p.21):

 

“No primeiro período, tempo da monarquia, o exercício físico, de influência etrusca, visava somente à preparação militar… No segundo período, tempo dos cônsules e do início das grandes conquistas, mais se acentuou a predominância guerreira, mas da Grécia, do tempo do esplendor, foram retiradas algumas receitas de prática higiênica e desportiva. No terceiro período, tempo do Império, por conseguinte de glória e de decadência, mantiveram-se as práticas anteriores até certa época, para passarem, pouco a pouco, a absoluto abandono, salvo quanto aos espetáculos circense, tão cruéis e sanguinários como os combates de gladiadores…”

 

Os romanos também se interessaram pelos jogos baseados nos jogos olímpicos da Grécia, mas tudo não passava de uma preparação militar, como reforça Ramos (1982, p.21), “com o tempo, os romanos, inspirados nos Jogos Gregos, procuraram criar os seus, sem o brilho dos helênicos, devido à mentalidade do povo, orientando-os para os adestramentos militares”. Segundo Oliveira (2006, p. 31):

 

“Os romanos, já sob a influência grega, também edificaram os seus estádios. Estes, que foram o principal cenário dos Jogos Olímpicos, não desfrutaram a mesma grandeza em terras romanas. Na verdade foram conhecidos juntamente com a introdução do esporte helênico em Roma (186 a.C.) estavam destinados ás competições atléticas e ás lutas. Os romanos copiaram, porém, um modelo já decadente, sendo levados a uma prática deformada.”

 

A perda de visibilidade e importância dos exercícios que prosseguiu com a queda do Império Romano continuou de maneira acentuada na Idade Média.  O que se vê na Idade Média é a Atividade Física sendo utilizada como preparação militar. Segundo Oliveira (2006, p.34), “a Educação Física, apesar de não merecer um destaque especial, recebeu uma atenção cuidadosa na preparação dos cavaleiros”. O cavaleiro deveria ser treinado para a Guerra Santa e as Cruzadas, ficando evidentes em dois momentos. O primeiro momento tem-se o período das Cruzadas, que segundo Ramos (1982, p.22), “as cruzadas, que a Igreja posteriormente, organizou durante os séculos XI, XII e XIII, exigia preparação militar, cuja base foi constituída, sem dúvida, pelos exercícios corporais”, Capinussú (2005, p. 54), também reforça dizendo:

 

“(…) que os cavaleiros deveriam ser treinados para as Grandes Cruzadas e as Guerras Santas, organizadas pela Igreja… E mais, nos momentos de ócio, o cavaleiro dedicava-se ao xadrez, gamão e outros jogos de mesa popularizados na Europa; saiam a cavalo caçando javalis… dedicavam-se a jogos ginástico e a corrida a pé.”

 

É também destaque, os jogos e torneios, caracterizando o segundo momento da utilização das atividades físicas, onde, segundo Oliveira (2006, p.34) “representam a culminância dos exercícios físicos dos cavaleiros e serviam, nos tempos de paz, como preparação para a guerra”, e mais:

 

“Alguns jogos simples e de pelota, a caça e a pesca constituíram, ao lado dos exercícios naturais, divertimento para todas as classes sociais. O futebol de estanho aperfeiçoado e o tênis, com os nomes de cálcio e jogo de raqueta, respectivamente, têm suas origens na Idade Média (RAMOS, 1982, p.23)”

 

Esse contexto da Idade Média, em especial, a figura do cavaleiro com sua experiência na montaria, na caça e no uso da espada, lança, arco e flecha, favoreceu o aparecimento de duas modalidades olímpicas bastante conhecidas, que segundo Capinussú (2005, p. 53):

 

“(…) respeitáveis historiadores considera a época medieval uma verdadeira fonte de riquezas e benefícios para a civilização ocidental, onde se enquadra a figura do cavaleiro, física e espiritualmente muito bem preparado, galanteador e romântico, exímio na arte de montar e, principalmente, no uso da espada, atividades que, mais tarde, dariam origem a modalidades esportivas de caráter olímpico, como o hipismo e a esgrima.”

 

Do século XIII até o século XV o que se tem é uma atividade física moldada no cavaleiro, porém, ainda sem uma maneira profissional de agir e sistematizar o conhecimento acerca da atividade física, concepção esta, reforçada por Ramos (1982, p.23), onde ressalta que “o profissionalismo desportivo era coisa desconhecida. Para o mundo ficou a conduta cavalheiresca, sinônimo de nobreza, lealdade e distinção.”

 

O Renascimento iniciado no século XV traz uma Educação Física voltada para a minoria (burguesia) e “reintroduz nesses currículos elitistas, onde os exercícios físicos – o salto, a corrida, a natação, a luta, a equitação, o jogo da pelota, a dança e a pesca – constituem-se em prioridades para o ideal da educação cortesã”.

 

Com o reconhecimento do início da Idade Moderna, que historicamente se dá em 1453 com a tomada de Constantinopla pelos Turcos, os exercícios naturais ganham força e se tornam um reforço na educação, pois, “com a adoção das ideias clássicas, a partir do século XVIII, no Ocidente, manifesta-se o interesse pela vida natural e os exercícios são empregados como agentes da educação, embora de maneira teórica e empírica” (RAMOS, 1982, p.24). Segundo este mesmo autor, importantes acontecimentos trouxeram aprimoramento na área da educação, onde os exercícios físicos assumiram papel de alta significação, e isso favoreceu a Educação Física, pois, refletiu um passo seguro dado em busca do seu próprio conhecimento. Nomes como Erasmo de Roterdam que cooperou para evolução da ginástica, Calvino favorável a alguns aspectos do problema pedagógico, Rousseau que influenciou nos métodos clássicos de educação física, Pestalozzi com sua pedagogia experimental, dentre outros grandes nomes que “por meio de suas contribuições, teóricas e práticas, muitos influíram na ação educacional, que proporcionou o grande movimento de sistematização da ginástica” (RAMOS, 1982, p.26).

 

A sistematização da ginástica proporcionada na Idade Moderna se tornará elemento importante na Idade Contemporânea, favorecendo o surgimento dos movimentos ginásticos do Centro (na Alemanha), onde foram criados “aparelhos como barra fixa e as barras paralelas, sendo os alemães, portanto, os percussores do esporte que hoje se chama ginástica olímpica” (OLIVEIRA, 2006, p.41), do Norte (na Suécia e na Dinamarca), que “preocupava-se com a execução correta dos exercícios, emprestando-lhes um espírito corretivo, como Pestalozzi já havia feito” (OLIVEIRA, 2006, p.42) e o Oeste (na França) que se caracterizava pelo “seu marcante espírito militar e uma preocupação básica com o desenvolvimento da força muscula…” (OLIVEIRA, 2006, p.43). Há também a prática dos jogos desportivos na Inglaterra e o surgimento da psicomotricidade, como enfatiza Ramos (1982, p.27):

 

“Outros sistemas, enquadrados pedagogicamente, surgiram mais tarde, baseados em determinadas predominâncias, como o exercício natural, o exercícios constituído, o desporto, a música e, ultimamente, a psicomotricidade. Suplantando a ginástica, na atualidade, grande é o movimento desportivo mundial, nem sempre ajustado no quadro educacional, pelos aspectos de caráter profissional, político ou espetacular.”

 

Na atualidade, o que se tem é a prática da Atividade Física associada à figura de uma pessoa saudável, o uso de exercícios físicos como reabilitação e “como terapêutica chama, cada vez mais, a atenção das personalidades responsáveis nos diversos países” (Ramos, 1982, p. 341). Há também o uso de equipamentos para melhorar o desempenho de atletas, e, “para as competições de alto nível, tendo em vista o máximo de rendimento, na busca de maior resistência orgânica e potência muscular ao lado da técnica, tem surgido, (…) numerosos sistemas de preparação desportiva” (Ramos, 1982, p. 341). Além disso, todo esse panorama da atividade física passa a ser cada vez mais massificada e disseminada pela mídia nos lares, “torna-se mais desportiva e universaliza seus conceitos nos nossos dias e dirige-se para o futuro, plena de ecletismo, moldada pelas novas condições de vida e ambiente” (RAMOS, 1982, p. 342).

 

 

 

REFERÊNCIAS:

CAPINUSSÚ, José Maurício. Atividade Física na Idade Média: bravura e lealdade acima de tudo. Rio de Janeiro: UFRJ, 2005. 4p

OLIVEIRA, Vitor Marinho de. O que é Educação Física. 11ed. São Paulo: Brasiliense, 2006. 111p.

RAMOS, Jayr Jordão. Exercício Físico na História e na Arte: do homem primitivo aos nossos dias. São Paulo: IBRASA, 1982. 353p

6 comentários sobre “A História da Educação Físicia e a Atividade Física ao Longo dos Tempos


    anesta gouveia trabuco

    gostei da matéria e vai ajudar me bastante

    Responder

    por favo que a bibliografia mas rapído possivel por favo me ajuda

    Responder

    FRANCISLENE DE SYLOS  -

    Boa tarde,
    Gostei muito do seu texto.

    Responder

    nao gostei muito ruin

    Responder

    guilherma barbosa da silva

    estou aproveitando esse conteúdo para ser discutido em sala

    de aula

    Responder

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