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Menara é nossa entrevistada
Menara Lupe Guizardi, 23 anos, bailarina profissional do Balé do Teatro Castro Alves, capixaba em solo soteropolitano há dois meses, complementa suas atividades físicas na Academia Espaço 10.


Conversamos com Menara, formanda em Sociologia, que tem uma interessante experiência de dança em Cuba. Confira:

Como surgiu a oportunidade de trabalhar no Balé do Teatro Castro Alves ?

Menara - Bem, sou de Vitória (ES) e há tempo que estava "de olho" na Companhia Profissional de Dança do TCA. É uma companhia muito boa e eu tinha esse sonho de trabalhar aqui como bailarina. No final do ano passado, eles fizeram um concurso para selecionar alguns bailarinos novos, fiz a prova e passei ... Entre os oitenta bailarinos que fizeram as provas, fui uma entre os sete contratados. Destes, apenas um da Bahia ... os outros de São Paulo, Belo Horizonte, Niterói, Vitória (risos ...).

Como está posicionado o Balé do TCA no cenário artístico nacional ?

Menara - O Balé do Teatro Castro Alves é muito conceituado no Brasil inteiro. Está entre as cinco melhores companhias de dança do País, e trabalha com coreógrafos muito famosos da América Latina e no exterior, casos de Luiz Henrietta e Tíndaro Silvano.

Em Vitória, quais eram os trabalhos que você desenvolvia ?

Menara - Em Vitória, não temos nenhuma companhia patrocinada pelo Estado como o Castro Alves é pelo Governo do Estado da Bahia. Os grupos de dança profissionais funcionam com uma estrutura muito menor e com patrocínio. A vida da dança profissional lá é muito mais difícil e às vezes não temos os recursos necessários para manter o trabalho funcionando. Por conta disso, além de atuar como bailarina, eu também trabalhava como professora de dança. Tenho experiência de trabalho com crianças, adultos ... Tinha sete anos trabalhando como professora lá em Vitória.

Como se deu a sua formação profissional ?

Menara - Apesar de ser bailarina profissional, eu nunca fiz faculdade de Dança. Fiz o curso de Ciências Sociais (Menara está concluindo sua monografia final de curso).

Comecei a dançar com quatro anos de idade. Fiz dança a vida inteira, e a partir dos treze anos decidi que seria uma bailarina profissional. Passei a fazer aula de balé todos os dias, a fazer cursos pelo País inteiro e fora dele também.

Com dezessete para dezoito anos fui para Cuba. Para a Escola Nacional de Artes, que é uma das melhores escolas de graduação em Dança do mundo, a melhor da América Latina. Passei seis meses trabalhando e me aperfeiçoando. Fiz também algumas aulas numa turma para bailarinos estrangeiros no Balé Nacional de Cuba.

Tenho alguns cursos de formação em New York, Buenos Aires, São Paulo e Brasília.

Qual dessas experiências te marcou mais ?

Menara - A que eu vivi em Cuba, pelas particularidades do lugar (Havana), já que é uma excepcionalidade no cenário político internacional, com um regime socialista. A vida lá é muito diferente da vida aqui, os hábitos culturais são completamente diferentes, o povo é muito alegre .... A experiência técnica profissional foi muito forte, já que a técnica cubana é muito boa. Foi uma das melhores experiências da minha vida, tanto profissional quanto pessoal.

Algum fato que você possa destacar nessa experiência em Cuba ?

Menara - O melhor de Cuba é o cotidiano, o dia-a-dia. É você vivenciar as diferenças, sentir as dificuldades no que se refere ao consumo. Você não consegue comprar comida com facilidade ... Passei quatro meses sem comer carne porque não tinha carne. Lá, vivi como uma cubana e não como turista.

Foram muitas experiências, como o conhecimento de pessoas que viveram a Revolução Cubana, dos senhores sentados nas calçadas lendo jornal e ouvindo radinho ... Os clubes de salsa, onde o povo vai dançar ... muito lindo ... O povo tem uma alegria fora do comum.

Também, as experiências da Escola. A que mais me marcou foi ver Alícia Alonso, fundadora do balé cubano, do Balé Nacional de Cuba, que tem setenta e poucos anos e dançou até os sessenta e cinco anos, sendo um mito no balé internacional, dona de uma técnica aprimoradíssima. Eu vi essa senhora, com dificuldades para andar, quase completamente cega e parcialmente surda, dirigindo e ensaiando a primeira bailarina do Balé Nacional de Cuba, que se chama Lorna. Foi uma das experiências que mais me marcaram. Mesmo enxergando e escutando pouco, corrigiu a primeira bailarina de forma primorosa.

A passagem por Cuba valeu para o Curso de Sociologia ?

Menara - Valeu empiricamente. Fiz uma visita à Faculdade de Sociologia de Havana, mas o que valeu mesmo foi a prova empírica, como participante de um projeto de sociedade que a gente lê muito na Sociologia. O marxismo é uma tradição muito presente nas Ciências Sociais. Serviu para eu analisar os aspectos bons e ruins do regime, ter um outra perspectiva da análise Capitalismo x Socialismo.

Aqui em Salvador, você pretende continuar conciliando o balé com o ensino da dança ?

Menara - Sim, mas não agora, já que estou concluindo a monografia. A partir de setembro, outubro, pretendo dar aulas sim.

Tenho ido à Fundação Cultural lá no Pelourinho ... Tenho me encantado muito com a dança afro, a capoeira. Quero conhecer essas coisas mais de perto, aproveitar esse lado da "baianidade", que é uma coisa que só vou encontrar aqui.

Por quanto tempo um bailarino exerce a sua profissão ?

Menara - Depende muito quão sábio é um bailarino no cuidado com seu corpo. Se você tem uma vida regular, não bebe, não fuma, faz exercícios para fortalecer a musculatura, evitar lesões, sua vida útil vai aumentar. Alícia Alonso dançou até o sessenta e cinco anos, esse é um caso excepcional. Lá na Companhia, tem bailarinos com mais de quarenta anos, que continuam na ativa com uma técnica vigorosa, com um desempenho físico muitas vezes melhor que o nosso, jovens que estamos entrando lá agora. Então, vai depender muito de como o bailarino trata do seu corpo.

Existe hierarquia dentro de uma Companhia de Balé ?

Menara - O Balé do Teatro Castro Alves não é hierarquizado, mas tem muitas companhias que são. Tem o primeiro papel, segundo papel ... Aqui todo mundo está no mesmo plano. Mas, o que acontece é que existem papéis que precisam de uma qualidade técnica e experiência maiores. Esses papéis vão, logicamente, para as bailarinas que já têm um controle técnico maior, isso é natural. Conquistar esses papéis depende do seu esforço pessoal, da sua dedicação, da sua capacidade de absorver as correções.

Como é que você chegou aqui na Espaço 10 ?

Menara - Foram duas indicações. Quando eu cheguei a Salvador, eu fui para o Albergue da Juventude, que fica lá na Barra. O dono do Albergue afirmou conhecer uma academia excelente, a Espaço 10, com orientação de um fisioterapeuta (Vinícius Galvão, coordenador técnico da Academia Espaço 10). Quando vim para a Companhia, também recebi a dica de um bailarino, o Ricardo, que também malha por aqui. Comecei na Espaço 10, quatro dias depois de minha chegada em Salvador.

Correspondeu às suas expectativas ?

Menara - Sim, os instrutores são "super" atenciosos, têm um astral maravilhoso. Não tem um dia que eu saia daqui de mau humor. O Vinícius está sempre orientando ... as dúvidas que eu tenho, correções de exercícios ... os cuidados para prevenção de lesões. Também, para fazer um treinamento específico para mim, com exercícios voltados para minha atividade, a dança.

Como é sua rotina na Espaço 10 e na Companhia ?

Menara - Às terças, quintas e sábados, faço musculação, através de um programa específico desenvolvido pela Academia para mim, com o objetivo de maximizar o meu condicionamento com os aparelhos, aumentando minha capacidade nos saltos, nos giros ...

Nos outros dias - segunda, quarta e sexta - faço outra atividade, utilizando um método de um preparador físico cubano, que faz trabalhos específicos para o balé. Há seis anos trabalho com esse método em Vitória, utilizando uma planilha pré-definida, que inclui atividades aeróbicas.

Na Companhia, fazemos uma hora e vinte minutos diários de balé. Depois entramos nos ensaios, que têm movimentos bem vigorosos, complementando uma carga de seis horas por dia.

E a sua alimentação ?

Menara - Minha alimentação é especial. Procuro não comer gordura, carne vermelha, açúcar e alimentos industrializados. Como muita fibra, muita granola ... o pessoal fala que eu sou um passarinho (risos) ... saladas, muitas frutas, principalmente bananas para combater caimbras e dores musculares. Me alimento de duas em duas horas.

A família ?

Menara - Sente saudades, mas está feliz, pois consegui um bom emprego, estou realizada, estou trabalhando no que eu quero, gosto ...

Quais são os seus planos para o futuro ?

Menara - Eu cheguei agora e pretendo me fixar na Companhia. Estou aqui para dar toda minha energia para o trabalho da Companhia, aprender o que tiver que aprender, e desenvolver um trabalho de alto nível.

Pretendo trabalhar ainda muito tempo como bailarina. Quero ter essa experiência corporal, de absorver a linguagem de coreógrafos com os estilos mais variados possíveis.

Mais prá frente, gostaria de trabalhar com coreografia. Adoro ensinar, mas o que me encanta mesmo é trabalhar com pesquisa corporal, pesquisa de movimentos ... é uma tendência da dança contemporânea, você criar o movimento, pesquisar com o corpo e descobrir as possibilidades que o corpo, como instrumento, pode trazer. Tenho muita vontade de coreografar.

Quando é que a "turma" da Espaço 10 vai poder assistir uma apresentação sua ?

Menara - A gente dança todas as sextas-feiras na Sala da Companhia. São ensaios abertos às 17 horas com entrada franca. Os convites devem ser retirados com uma hora de antecedência. Cada sexta-feira fazemos um espetáculo diferente. Fora isso, dias 21 e 22/07 a Companhia vai dançar no palco grande do TCA, no aniversário da Fundação Cultural do Estado (http://www.fundacaocultural.ba.gov.br/).

Uma mensagem para quem acessa o site da Espaço 10 ...

Menara - Uma frase que me acompanha de Fernando Pessoa e tem a ver com filosofia de vida - "Ponha o máximo do que és no mínimo do que fazes". É a minha frase prá tudo. Procuro dar o máximo de mim em tudo que faço, mesmo as pequenas coisas. No "bom-dia" prá pessoa que eu vejo, no olhar que eu passo, aqui na malhação, nos exercícios, recebendo também o melhor das pessoas. A vida fica mais fácil e você pode dormir sabendo que não deixou de viver nada.

Entrevistador
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